Por Felipe Figueroa
Antes do álbum, uma música
Meu encontro com o DADGAD começou por volta de 2008, tentando tocar “Incondicional”, do Oficina G3. Os desenhos pareciam próximos, mas o resultado nunca respirava como a gravação. Quando descobri a afinação, a música finalmente fez sentido — e uma pergunta pontual virou um campo inteiro de estudo.
“Histórias e Bicicletas” amplia esse caminho
Lançado em 2013, o álbum apresenta uma paisagem de guitarras abertas, ambiências e vozes instrumentais que se cruzam. Para quem já acompanhava a banda e tocava violão ou guitarra, ele funcionou como convite para investigar não apenas quais notas eram tocadas, mas como o instrumento estava organizado.
O valor do DADGAD nesse contexto não está em um “efeito celta” automático. Está na possibilidade de sustentar notas comuns entre acordes, criar bordões e deixar intervalos abertos conviverem com melodias.
O impacto para quem estava aprendendo
Naquele momento, encontrar explicações detalhadas em português era difícil. Cada música se tornava também um exercício de investigação: ouvir o baixo, separar as cordas que permaneciam abertas, testar a posição da melodia e descobrir onde a harmonia realmente mudava.
Foi esse processo que, anos depois, deu forma ao material do Descomplicando o DADGAD. A pergunta deixou de ser “qual acorde copiar?” e passou a ser “como ensinar alguém a descobrir este acorde?”.
Como ouvir o disco com atenção ao DADGAD
- Observe notas agudas que permanecem enquanto o baixo muda.
- Perceba quando o peso vem de cordas soltas, não de mais distorção.
- Ouça a distância entre a nota mais grave e as vozes superiores.
- Compare a sonoridade suspensa com acordes em que a terça aparece claramente.